Cecília Bhering: o legado de Mario Bhering e a força da memória

Ao celebrar os 40 anos da Memória da Eletricidade, Cecília Bhering relembra a trajetória da instituição e defende a importância da preservação e do acesso ao conhecimento.
15/10/2026

Cecília ao lado do pai, Mario Bhering, quando criança. Foto: Acervo pessoal

Neste 16 de outubro, o Centro para a Memória para Eletricidade no Brasil completa 40 anos. Um orgulho para quem pertence ao setor elétrico e para quem trabalha com a formação de acervos e a gestão do conhecimento.  Essa data desperta em mim grande emoção, uma vez que o mentor desse Centro foi meu pai, Mario Bhering.

Acompanho o trabalho da Memória desde o início. Como bibliotecária do setor, participei do primeiro grande esforço desse grupo de pesquisadores e documentalistas, quando editamos o Guia de Fundos Documentais do Setor Elétrico, na década de 1980. O Guia mapeou a realidade do que havia de instalações geradoras de qualquer forma de energia no país e sua documentação técnica.

Seguimos assim, pesquisando, registrando, indexando e tornando público um acervo e valioso, que conta, ao mesmo tempo, a história do Setor e a história da industrialização e do desenvolvimento socioeconômico brasileiros.

Formar acervos e mantê-los dinâmicos é uma tarefa de resistência no mundo. A humanidade precisa de informações construídas com pesquisa séria, ética e acesso público, para que possamos entender quem somos, em que circunstâncias e qual o caminho a seguir.

A Memória cumpre seu papel de forma brilhante, enfrentando dificuldades inerentes à manutenção de coleções e depoimentos em suportes frágeis, sempre aberta ao diálogo com a sociedade, de modo a se firmar como um grande centro de educação permanente. Suas publicações atuais, bem como seu site, são fontes de conhecimento contemporâneo sintonizadas com as mudanças relevantes da sociedade, e que levam à oportunidade de crítica e reflexão.

Parabéns à Memória e a sua equipe extraordinária e perseverante! Obrigada aos nossos patrocinadores e colaboradores. Obrigada, meu pai. Você me mostrou muito cedo o caminho dos livros e eu fiz deles meu lugar no mundo.

Artigo de Cecília Bhering celebra 40 anos da Memória da Eletricidade. Foto: Acervo pessoal